Clube Naval de Cascais

PortuguêsEnglish (UK)
 
 

2008 - O Inicio de um novo ciclo

O ano de 2008 inicia, no nosso entender, um novo ciclo da vida do Clube Naval de Cascais, apresentando um grande potencial de oportunidades para o seu desenvolvimento mas também muitos desafios e dificuldades na sua implementação, ademais compostas pelas consequências da severa crise económica eclodida nesse mesmo ano.

A inauguração, no ano anterior, das novas instalações e a muito bem sucedida realização dos Mundiais da ISAF foram, sem dúvida, dois pontos muito altos na história recente do Clube e constituem excelentes pontos de partida para o futuro desenvolvimento do Clube. Estão criadas muito boas condições materiais, senão ímpares em Portugal, para o Clube desenvolver as suas actividades de formação, desportivas e de carácter social e, doutra parte, foi reconhecida, nacional e internacionalmente, a posição do Clube como a referência em Portugal para a realização de grandes regatas nacionais e internacionais.

É desígnio desta Direcção “timonar a bom porto” o Clube neste novo ciclo, conforme os objectivos que apresentou há um ano. Infelizmente, a realidade e os obstáculos (às vezes surpreendentes!) que surgem não permitem avançar ao ritmo que se pretende e que todos desejamos, mas pensamos que começam a verificar-se resultados e melhorias e, igualmente importante, os problemas que se nos deparam estão, de um modo geral, identificados e estando-se a trabalhar para os ir resolvendo.

Escolas de Vela
Em 2008, as Escolas de Vela, nossa prioridade no plano desportivo, aumentaram a sua actividade (+19% de alunos) relativamente ao ano anterior, embora a capacidade de alguns cursos não seja ainda devidamente ocupada.
Para fomentar o aparecimento de novos velejadores no Clube foram iniciadas várias acções de divulgação da Escola de Vela, salientando-se os contactos com várias escolas propondo a organização para os seus alunos de cursos de vela como actividades extra curriculares e o início das sessões regulares de “baptismos de vela” para qualquer pessoa que pretenda experimentar andar num barco à vela. O desenvolvimento da actividade de formação de vela para adultos e de lazer foram objecto de atenção e foram relançados os cursos de formação temáticos, esperando-se resultados nestas áreas em 2009.
Finalmente, no plano do equipamento e material, dada a idade e o desgaste dos meios existentes, foi optimizada a sua manutenção, diminuindo os seus tempos de paragem e respectivos custos, e definido um plano de reequipamento no valor de €40mil para 2009, apoiado pela Câmara Municipal de Cascais.

Vela Adaptada – Projecto Vela Sem Limites
2008 foi o “Ano” da Vela Adaptada no Clube, vendo o fruto dos seus quatro anos de crescente actividade recompensada com a muito bem sucedida realização do Seth
Cascais Worlds 2008, primeira realização em Portugal de um campeonato mundial de vela adaptada a portadores de deficiência. Esta ocasião levou à intensificação desta modalidade no decurso de 2008, nomeadamente para preparação e selecção de velejadores do Clube para participação no Mundial. O êxito e visibilidade do Mundial contribuíram para a consolidação dos patrocínios e subsídios a esta actividade, permitindo o investimento em mais meios para 2009.

Resultados Desportivos – Olímpicos / Alta Competição
O ano de 2008 e dos Jogos Olímpicos de Pequim foi de intensa actividade e de óptimos resultados nacionais, internacionais e olímpicos para os velejadores do Clube em várias classes e escalões etários, constituindo um motivo de orgulho para o Clube.
De salientar a obtenção de Diplomas Olímpicos por Gustavo Lima (4º em Laser) e por Afonso Domingos e Bernardo Santos (8º em Star), estes últimos também vencedores, pela 2ª vez, da Bacardi Cup (Star) em Miami e o 11º lugar conquistado por Jorge Lima e Francisco Andrade nas suas primeiras participações olímpicas. De notar que estes cinco velejadores, parte do grupo de sete velejadores olímpicos nos Jogos, constituíram a segunda maior representação de todos os clubes portugueses na equipa olímpica nacional, ilustrando bem a sua posição e do nosso Clube no panorama desportivo nacional. Internacionalmente, Patrick Monteiro de Barros foi Campeão Mundial do RC 44 Championship Tour (regatas de frota).
Frederico Pinheiro de Melo (Finn) e Sara Carmo (Laser Radial) alcançaram vários bons resultados internacionais que lhes garantiram estatuto no Projecto Esperanças
Olímpicas, Rita Leal Faria e Teresa Cunha (420) foram Campeãs Nacionais Femininas e Absoluto e Gonçalo Santos e Lourenço Pinto Gonçalves (420) foram Campeões de Portugal de Juniores; António Carvalho e Vasco Serpa foram Campeões Nacionais, respectivamente das Classes JOD35 e Benneteau 25.

Campeonatos e Grandes Competições de Vela.
Em 2008, tal como nos vários anos anteriores, o Clube quase “esgotou”, em termos de calendário, a sua capacidade de organizar regatas, tendo realizado 47 provas em 98 dias e envolvendo 1.220 barcos e 2.632 velejadores em competições de âmbito internacional, nacional, regional ou de Clube.

Integrando o projecto Cascais Portugal Vela 2008, destacamos o Seth Cascais Worlds 2008 (Mundial de Vela Adaptada, 28 barcos, 12 países), o IX Open de Vela da Costa do Estoril – Troféu Quebramar/Chrysler (76 barcos, 424 velejadores) e a Dragon Gold Cup 2008 (74 barcos, 16 países).
Também de salientar o Troféu Maria Guedes de Queiroz/Dom Pedro Hotéis (Snipes tripulação mista, 30 barcos de Portugal e Espanha), a Regata de Natal Ford 2008 (7 classes de vela ligeira, 309 barcos, 384 velejadores representando 26 Clubes de 4 países) e a 1ª edição das Cascais Dragon Winter Series (classe Dragão).

Assegurou-se, assim, o reforço da posição do Clube como a referência em Portugal para a realização de grandes regatas nacionais e internacionais Sócios, Actividade Social, Instalações e Serviços. Estas áreas são das que apresentam os maiores desafios e oportunidades de desenvolvimento para o Clube mas também muitas dificuldades na sua implementação e onde, não obstante os progressos que consideramos já realizados, se deparam os maiores obstáculos.

Foi reestruturada, com algumas admissões e/ou substituição de colaboradores, a organização de toda a equipa administrativa/financeira, desportiva e de cais assim como de marketing/relações públicas do Clube e concentrada a sua instalação na área da Secretaria para maior funcionalidade. Pensamos, assim, ter sido atingida uma melhor eficácia, profissionalização e responsabilização das pessoas envolvidas com vista a um melhor serviço aos Sócios e estando já previsto algum ajustamento adicional nesta área em 2009. Foram revistos os horários de funcionamento do cais e sede optimizando a utilização dos recursos humanos e as horas de serviço aos Sócios.

As instalações, nomeadamente o seu licenciamento, apresentam os maiores obstáculos, com diversas implicações, custos e riscos, no desenvolvimento do que está planeado. Surpreendentes vicissitudes de ordem burocrática, de projecto e da sua execução, têm sucessivamente atrasado o finalizar do licenciamento das instalações junto da Câmara Municipal de Cascais e de outras entidades relevantes, estimando-se que tal licença seja apenas obtida na segunda metade de 2009.

O prolongamento do processo de licenciamento em consequência das vicissitudes referidas levou-nos a denunciar, em Junho de 2008, o acordo de concessão existente para a exploração do restaurante e bar do Clube, ao abrigo de cláusula específica existente no contrato, face aos inconvenientes que a indefinição sobre o licenciamento causa na actividade normal do Clube. A solução de recurso encontrada para operação apenas do bar está longe de corresponder ao serviço pretendido mas a prudência levou-nos a não considerar uma solução definitiva de exploração do bar e restaurante enquanto as instalações não estiverem devidamente licenciadas.

Algumas das várias, e em parte graves, deficiências de construção das instalações têm sido progressivamente reparadas a custo do Clube; o processo, em curso, de responsabilização da firma construtora, pelo Clube, tem sido prejudicado pelas dificuldades financeiras e indefinições accionistas que aquela atravessa. Estas questões têm, por sua vez, desaconselhado ou limitado a desejada introdução de aperfeiçoamentos e alterações necessárias e já identificadas nas instalações.

Não obstante os problemas acima, no plano social e ainda em 2008, realizaram-se nas instalações do Clube (salão e restaurante) diversas “happy hours” relacionadas com as regatas havidas assim como algumas festas, jantares e outras funções organizadas por ocasião de regatas, para pessoas individuais e empresas e as quais contribuíram já receitas de aluguer de instalações e organização dos eventos para o Clube. De salientar, o almoço oferecido pelo Clube em Outubro aos representantes dos seus principais patrocinadores em 2008 e que contou com a presença do Presidente da Câmara de Cascais.

Está ainda longe de atingir o objectivo de ter um programa e instalações que envolvam mais os Sócios nas actividades sociais do Clube, mas em 2009 já se realizaram e estão já previstas realizar mais funções nas instalações, do género acima referido, e continuaremos a procurar concretizar outros projectos, serviços e benefícios que contribuam para “atrair” mais Sócios, actuais e novos, ao Clube.
Finalmente, na área de comunicação com os Sócios e divulgação do Clube e das suas actividades, há que assinalar a concretização do lançamento da “Hippocampus”, a nova revista do Clube já com três números publicados, e que alcançou um bom acolhimento por parte dos Sócios e outros públicos, assim como o apoio dos anunciantes que asseguram a sua viabilidade financeira.

Situação Financeira
As debilidades estruturais do Clube dificultam extraordinariamente a sua gestão financeira e condicionam substancialmente a sua actividade. Para contrariar esta debilidade iniciou-se em 2008 um plano de redução de custos, afectando essencialmente as áreas deficitárias, bem como algumas revisões de preços de serviços. Iniciaram-se também em finais do ano diversas iniciativas, com o objectivo de aumentar as actividades e os serviços prestados pelo Clube, criando novas oportunidades de receitas, tais como o lançamento da revista Hippocampus, o aluguer das instalações da nova sede e o inicio de novas acções de formação. O atraso no licenciamento das instalações e a respectiva conclusão do processo trouxeram diversos custos adicionais, bem como uma redução de receita prevista com a concessão do restaurante.

Em resumo, o Clube registou em 2008 um aumento significativo da sua actividade, tendo atingido um volume de vendas de 1.098.239 Euros, o que representa um aumento de 51% versus 2007, acompanhada por uma evolução dos custos de 49% tendo atingido custos do exercício no valor de 1.093.111 Euros, o que resultou num resultado liquido positivo de 5.127 Euros.

Agradeço a todos que connosco colaboraram neste ano de 2008 na condução dos assuntos do Clube, especialmente aos Membros dos Órgãos Sociais e ao Bernardo Pinto Gonçalves, aos Membros da Direcção cessante, cuja colaboração conduziu a uma transição tranquila e eficaz, aos Colaboradores do Clube, às entidades oficiais com quem o Clube se relaciona, especialmente à Câmara Municipal de Cascais, suas Agências e Empresas Municipais, Turismo do Estoril, Marcascais, Capitania do Porto de Cascais, Federação Portuguesa de Vela, A.R.V. Centro, ISAF e outras organizações e clubes náuticos assim como aos diversos patrocinadores do Clube e das suas regatas, por todo o apoio, colaboração e solidariedade que tiveram para com o Clube e a sua Direcção por mim aqui representada.

Finalmente, a tarefa de desenvolver esta prestigiosa instituição que é o Clube Naval de Cascais é grande e árdua. Faremos a nossa parte com empenho, mas contamos com o apoio e colaboração de todos os Sócios como “proprietários” e primeiros beneficiários dos resultados que se venham a alcançar.

Lido 2819 vezes Modificado em quinta, 24 julho 2014 15:25