Clube Naval de Cascais

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2010 - Continuação da Consolidação

O ano de 2010 consolidou, no nosso entender, a estratégia iniciada em 2008 e adicionalmente desenvolvida em 2009, de um novo ciclo da vida do Clube Naval de Cascais com base nas suas novas instalações, com grande potencial de oportunidades para o seu desenvolvimento mas também muitos desafios e dificuldades na sua implementação, ademais compostas pelas consequências da severa crise económica e financeira nacional em curso.

O Clube desenvolveu as suas actividades de formação, desportivas e de carácter social e, doutra parte, consolidou, nacional e internacionalmente, a sua posição como a referência em Portugal para a realização de grandes regatas nacionais e internacionais.

Apesar dos obstáculos que vão surgindo não permitirem avançar ao ritmo que se pretende e que todos desejamos, os problemas têm vindo a ser resolvidos, mantendo esta Direcção o desígnio de atingir os objectivos que apresentou há três anos para o seu mandato.

Escolas de Vela

Em 2010, as Escolas de Vela, nossa prioridade no plano desportivo, aumentaram significativamente a sua actividade relativamente ao ano anterior (+29% de alunos contra +10% em 2009), fruto da estratégia delineada e do bom trabalho desenvolvido na sua implementação pelos seus responsáveis e não obstante a contenção das despesas familiares dada a crise verificada.

A diversificação da oferta de cursos e as iniciativas de promoção lançadas para fomentar o aparecimento de novos velejadores no Clube, nomeadamente as sessões regulares de “baptismos de vela” em parceria com a C.M.Cascais e os acordos com algumas escolas do Concelho, deram bons resultados, traduzindo-se em mais inscrições nos cursos da Escola de Vela, nomeadamente para adultos. Os Cursos de Verão continuam a ser um êxito crescente, constituindo a melhor fonte de angariação de velejadores para a Escola de Vela.

Na sequência do importante plano de renovação dos meios da Escola de Vela realizado em 2009 com o apoio da C.M.Cascais, manteve-se o investimento em 2010 com a compra de velas novas para os Optimist e de um motor novo para um dos semi-rígidos da Escola de Vela. Infelizmente, obstáculos burocráticos continuam a atrasar o relançamento da actividade de formação no Clube para a obtenção de cartas náuticas.

De assinalar o continuado patrocínio em 2010 pelo Banco Espírito Santo à Escola de Vela que consolida os meios financeiros disponíveis para o seu desenvolvimento.

Vela Adaptada – Projecto Vela Sem Limites

Completou-se o 6º ano desta actividade do Clube, apoiada desde a primeira hora pela C.M.Cascais e envolvendo a colaboração de um crescente número de outras instituições. Os patrocínios e subsídios obtidos, em conjunto com o trabalho de muitos voluntários, permitiram o desenvolvimento adicional da actividade de Vela Adaptada tanto para efeitos terapêuticos como desportivos, com a obtenção de vários excelentes resultados em competição.

Os velejadores do Clube, Bruno Pereira e Carlos Alberto Araújo, respectivamente, conquistaram o 1º e 2º lugares no 1º Campeonato Nacional da Classe Access assim como se classificaram em 3º e 4º no respectivo Campeonato do Mundo, demonstrando a seriedade e a contínua evolução do Projecto Vela Sem Limites.

Sempre muito empenhado no desenvolvimento desta modalidade em Portugal, o Clube continuou a envolver-se muito activamente no relançamento da Associação Portuguesa da Classe Access e, em Junho 2010, organizou a realização do seu 1º Campeonato Nacional em Cascais.

Resultados Desportivos – Olímpicos / Alta Competição

O ano de 2010 foi um ano particularmente ingrato para os velejadores do Clube inseridos no Regime de Alta Competição e no Projecto Olímpico, dada a grave problemática envolvendo a Federação Portuguesa de Vela e a Secretaria de Estado da Juventude e Desporto. A suspensão dos apoios e verbas do Estado à FPV comprometeu durante vários meses de 2010 a actividade dos velejadores inseridos no Projecto Olímpico, até à transferência das competências da FPV para o Comité Olímpico de Portugal em final do ano.

Não obstante esses graves problemas, os diversos velejadores do Clube das classes olímpicas 49er, Star, 470, Finn, Laser Radial e Match Race Feminino mantiveram os seus programas de treino, ainda que por vezes abaixo do desejado, e participaram em várias das provas mais importantes do Circuito Eurolimp, Campeonatos do Mundo e da Europa. Para isso, muito contribuíram as verbas disponibilizadas pelo programa de alta competição “Centro de Alto Rendimento - Londres 2012” desenvolvido pelo Clube em 2009 continuado em 2010 e financiado pela C.M.Cascais.

Francisca Martins e Maria João Westwood foram Campeãs Nacionais Absoluto e Feminino e Vice-Campeãs de Portugal de Juniores Feminino em 420; Diogo Pereira obteve o 24º lugar no Campeonato do Mundo de Optimist, melhor resultado de Portugal nos últimos 10 anos e conquistou o 2º lugar na Semana del Atlântico em Vigo e o 1º lugar na RenaissanceRe Gold Cup na Bermudas.

Campeonatos, Grandes Competições de Vela e Actividade das Frotas

Em 2010, tal como nos dois anos anteriores, o Clube continuou a quase “esgotar”, em termos de calendário, a sua capacidade de organizar regatas, tendo realizado 47 provas em 98 dias e envolvendo 907 barcos e 2.915 velejadores em competições de âmbito internacional, nacional, regional ou de clube.

Destacamos a realização, pela primeira vez em Cascais e em parceria com a João Lagos Sport, da Audi Med Cup - Troféu de Portugal, uma das etapas deste importante circuito mundial destinado às classes TP52 e GP42 e que contou com a presença dos maiores nomes da vela Mundial.

Assinalamos, também, a prova Cascais Vela 2010 – Troféu Quebramar / Regata Alpen / Desafio Chivas / Desafio SB3, uma das melhores provas ibéricas de cruzeiro da classe ORC e que em 2010 incluiu as classes cruzeiro ANC, handicap CNC e também envolveu as classes Dragão e Laser SB3; para além do sucesso desportivo, esta prova tem uma importante componente social que, há anos, marca o final da época de regatas de Verão em Cascais.

Também de salientar o êxito da 3ª edição das Cascais Dragon Winter Series (classe Dragão, 42 tripulações de 7 países) que finalizaram com o Troféu S.M. El Rey Juan Carlos I que em 2010 foi elevado ao grau mais alto (Grade 1) das provas da Classe Internacional Dragão, o Troféu Maria Guedes de Queiroz/Dom Pedro Hotéis (Snipes tripulações mista de Portugal e Espanha), a Regata de Natal Ford 2010 (6 classes de vela ligeira representando 26 clubes de 6 países) e a realização do Seth - 1º Campeonato Nacional da Classe Access (Vela Adaptada) com a participação de 14 velejadores de todo o país.

Manteve-se a forte actividade de regatas de Cruzeiros organizadas pelo Clube, sob o sistema simples “Handicap CNC” desenvolvido expressamente para o efeito, sendo de realçar o XI Troféu Marina de Cascais, o Troféu S.Martinho/Lindley e o relançado Troféu Conde de Caria, com o apoio da Tróia Marina.

As frotas de Dragão, Laser SB3 e Hobie Cat, as classes com maior representação no Clube, aumentaram significativamente tanto a sua actividade como o número de barcos em cada classe estacionados no Clube e participando activamente em regatas.

Assegurou-se, assim, a consolidação da posição do Clube como a referência em Portugal para a realização de grandes regatas nacionais e internacionais

Sócios, Actividade Social, Instalações e Serviços

Tal como já referido no ano anterior, estas áreas são as que apresentam os maiores desafios e oportunidades de desenvolvimento adicional para o Clube e também muitas dificuldades na sua implementação, mas onde se começam a verificar vários progressos.

A estabilização da organização e composição das equipas administrativa/financeira, desportiva e de cais assim como de marketing e relações públicas do Clube e a sua profissionalização e responsabilização, permitiu uma melhor eficácia no desempenho das funções com vista a um melhor serviço aos Sócios. Os horários revistos de funcionamento do cais e da sede optimizaram a utilização dos recursos humanos e as horas de serviço, parecendo corresponder às expectativas dos Sócios.

Finalizou-se o licenciamento das instalações junto da C.M.Cascais e de outras entidades relevantes, tendo a licença de utilização sido finalmente obtida no início de 2011, ano em que também se esperam resultados no processo de responsabilização, pelo Clube, da firma construtora pela reparação das várias imperfeições existentes nas instalações, para além de se prever executar aperfeiçoamentos e alterações necessárias e já identificadas nas instalações.

É no entanto de assinalar, que os custos de manutenção da nova sede, em conjunto com algumas debilidades da mesma, representam uma responsabilidade adicional significativa que o Clube terá de suportar nos anos futuros; em 2010 já vimos o exercício acrescido de muitos destes custos ainda que tenham servido para melhorar as instalações do Clube.

Implementou-se alguma melhoria na solução provisória para a operação, muito limitada, do bar e restaurante e que está longe de corresponder ao serviço pretendido.

Não obstante os problemas acima referidos, no plano social realizaram-se nas instalações do Clube, em 2010, diversas “happy hours” e jantares relacionados com as regatas havidas assim como diversas festas, jantares e outras funções organizadas para pessoas e empresas, as quais já contribuíram com receitas significativas para o Clube. De salientar o jantar de homenagem aos novos Sócios Honorários e Efectivos, a sardinhada no cais e o terceiro almoço oferecido pelo Clube em Outubro aos representantes dos seus principais patrocinadores em 2010 e que contou com a presença do Presidente da Câmara de Cascais.

De salientar a abertura em Setembro da Sala de Treino e preparação física, novo serviço disponibilizado pelo Clube sem encargos adicionais e em horário alargado aos Sócios e seus cônjuges, e que só foi possível realizar com a muito gentil oferta da grande maioria do seu equipamento pelo Sócio Pedro Silveira.

Está ainda por atingir o objectivo de ter um programa e instalações que envolvam mais os Sócios nas actividades sociais do Clube, mas serão continuados os esforços para concretizar no decurso de 2011 outros projectos, serviços e benefícios que contribuam para “atrair” mais Sócios, actuais e novos, ao Clube.

Finalmente, na área de comunicação com os Sócios e divulgação do Clube e das suas actividades, há que assinalar a consolidação da revista do Clube “Hippocampus”, já com dez números publicados a esta data, e que alcançou um bom acolhimento por parte dos Sócios e outros públicos, assim como o apoio dos anunciantes que asseguram a sua viabilidade financeira e contribuição para as receitas do Clube.

Constatamos, com satisfação, que o objectivo proposto para esta revista foi plenamente atingido. Mas, para além de comunicar, a “Hippocampus” tem divulgado contribuições preciosas para a história do Clube, graças aos diversos textos redigidos por Sócios e ilustrados com fotografias inéditas. Aproveito para aqui agradecer essa colaboração e incentivar outros Sócios a contribuir para a continuada recolha de documentação histórica sobre o Clube.

Situação Financeira

O ano de 2010 foi o ano de consolidação da estratégia delineada em 2008 e dos planos implementados ao longo dos últimos dois anos, com o realizado no exercício em linha com o orçamentado.

As debilidades estruturais do Clube continuam a dificultar a sua gestão financeira e condicionam substancialmente a sua actividade. No entanto, os planos implementados por área de actividade têm vindo a produzir os seus efeitos e tendem a equilibrar financeiramente as áreas deficitárias bem como a manter e/ou desenvolver áreas com potencial de desenvolvimento.

Em 2010 os novos serviços iniciados em 2009 contribuíram positivamente para as contas do Clube. Os alugueres de salas e serviços contribuíram para as receitas do Clube para além de representarem um importante aumento de actividade no Clube. A revista Hippocampus mantém a sua independência financeira e tem apoiado o Clube na sua comunicação com sócios, patrocinadores e a sociedade em geral.

O Clube registou em 2010 um nível de actividade semelhante ao ano anterior, tendo atingido um volume de vendas de 1.120.126 Euros, o que representa uma quebra de 1,8% versus 2009. Os custos tiveram um ligeiro aumento tendo atingido custos do exercício no valor de 1.101.371 Euros, o que representou um resultado líquido positivo de 18.754 Euros.

Agradeço a todos que connosco colaboraram neste ano de 2010 na condução dos assuntos do Clube, especialmente aos Membros dos Órgãos Sociais e Bernardo Pinto Gonçalves, aos Colaboradores do Clube, aos Sócios e voluntários que colaboraram com o Clube, com relevo para o Sócio Pedro Silveira, às entidades oficiais com quem o Clube se relaciona, especialmente à Câmara Municipal de Cascais, suas Agências e Empresas Municipais, Turismo do Estoril, Marcascais, Capitania do Porto de Cascais, Dragopor, APCLaser-SB3, APCAccess, Federação Portuguesa de Vela, ARVCentro, ISAF e outras organizações e clubes náuticos assim como os diversos patrocinadores do Clube e das suas regatas e os anunciantes da revista “Hippocampus”, por todo o apoio, colaboração e solidariedade que tiveram para com o Clube e a sua Direcção por mim aqui representada no decurso de 2010.


José Sotto Mayor Matoso
Presidente

Lido 3773 vezes Modificado em sexta, 19 outubro 2012 18:03